SIM, SOMOS TODOS CAPAZES
"No início do ano escolar, o Presidente Obama enviou uma mensagem aos estudantes, um notável documento que deveria ser lido e debatido em todas as nossas aulas.
Como se costuma dizer, está lá tudo. A inquietação de quem está no primeiro dia de escola, o desejo de acabar os estudos, a tristeza pelo fim das férias.
Como se costuma dizer, está lá tudo. A inquietação de quem está no primeiro dia de escola, o desejo de acabar os estudos, a tristeza pelo fim das férias.
O relato pessoal, desde as lições extra da mãe às 4.30 da manhã ao não desperdiçar de oportunidades como estudante universitário. A responsabilidade dos governos na manutenção de padrões elevados na qualidade do ensino, ou a necessidade do esforço dos professores para motivar os alunos, "para que tenham vontade de aprender". A responsabilidade dos pais de "assegurarem que façam os trabalhos de casa e não passem o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox". E sobretudo - o mais importante - as responsabilidades dos alunos: "nem os professores ou pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo, são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades".
Em diversos textos do meu recente livro Porque sim, acentuo a importância desta educação para a autonomia responsável, virada para o assumir da responsabilidade de acordo com a idade da criança ou do adolescente, o que passa pelo estudo continuado e persistente e pelo esforço que qualquer aprendizagem implica. Para os pais, o apoio sistemático é importante, mas como também acentua Obama, não pode ser desculpa para não se estudar se esse auxílio faltar. Mas nos casos em que os pais estão presentes e disponíveis, como podem colaborar com a escola? A forma como os professores e pais se relacionam definirá a eficácia desses encontros. Os docentes deverão abandonar alguns preconceitos e aceitar os pais tal como eles são, tecendo em conjunto não só um contexto escolar de desenvolvimento para os mais novos, mas também uma forma de colaboração com a tarefa educativa das famílias.
As reuniões de pais devem possibilitar aos encarregados de educação presentes a possibilidade de expressão dos seus sentimentos como educadores, sobretudo quando têm a percepção de que os filhos não são apreciados na escola. Aos professores convém perceber as pressões a que muitas vezes os pais estão sujeitos, antes de caminharem para a crítica de negligência ou de excessiva exigência parentais; e nunca actuarem como "peritos educativos", desqualificando os pais e procedendo como se os docentes fossem os únicos a saber o que está certo para as crianças.
Convém também que estejam atentos às relações familiares dos alunos, mas com a noção sempre presente de que não devem interferir na complexidade das relações intrafamiliares: escola e família são dois territórios que se devem tocar muitas vezes, mas sem competição e com respeito pela especificidade de cada um. Importa que as famílias compareçam na escola, por isso são correctas as medidas legislativas que favoreçam a presença de pais e avós, sem prejuízo das suas vidas pessoais. Sem dúvida que os familiares aparecerão mais se o seu papel for valorizado no território educativo."
(Texto de Daniel Sampaio, publicado na revista "Pública" de 20 de Setembro 2009)


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